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sábado, 25 de junho de 2016

Pretos Velhos


História dos Pretos Velhos 


As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.
     Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França.
     Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:
     Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.
     Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos.
     No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.
     Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.
     A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituíam uma parte selecionada da população.
     Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três "pês": Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A "macumba" era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum).
     Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea.
     A Legião de espíritos chamados "Pretos-Velhos" foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África.
     Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.
     Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza.
     Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece.
     Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece.
     O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.





FORMAÇÃO DA FALANGE DOS PRETOS-VELHOS NA UMBANDA.

     Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam.
     Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores, mas no Candomblé, são considerados Eguns (almas desencarnadas), e decorrente disso, só têm fio de conta (Guia) na Umbanda. Usam branco ou preto e branco. Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.
     O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).


O NOMES DOS PRETOS-VELHOS.

     Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos "A Idade das Trevas" no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto. Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não  há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estar eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados.

     As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D'Angola).
     O termo "Velho", "Vovô" e "Vovó" é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham.
     No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os "Psicólogos da Umbanda".

     Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:

     Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João, Pai Congo, Pai José D'Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D'Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Antero, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Vovó Benedita, Vovô Rei Congo, Pai José, Pai Joaquim, Vovô Tião.

     Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais "velhos" do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia).


ATRIBUIÇÕES:

     Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.
     Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação.
     Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma.
     Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos.
     Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: "então o Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece???".
     Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda.
     O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.
     Por isso, se você for falar com um Preto-Velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.
     Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são psicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obsessores e kiumbas.


A MENSAGEM DOS PRETOS-VELHOS.

       A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.
     Certa vez, em um centro do interior de Minas, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas. O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente:

 "Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas; mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro. Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas; acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade".

     Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos...
     Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.


     Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:


     "Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS" (Pai Cipriano).


CARACTERÍSTICAS:

     Linha e Irradiação
     Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente.

     Fios de Contas (Guias):
     Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.

     Roupas:
     Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.

     Bebida:
     Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel (às vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).

     Dia da semana: Segunda-feira

     Chakra atuante: básico ou sacro

     Planeta regente: Saturno

     Cor representativa: preto e branco;

     Saudação: Cacurucaia (Deve sempre ser respondida com "Adorei as Almas")

     Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.

     Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.

COZINHA RITUALÍSTICA.

     Tutu de feijão preto.

     Mingau das almas.

     É um mingau feito de maisena e leite de vaca (às vezes com leite de coco), sem açúcar ou sal, colocado em tigela de louça branca. É comum colocar-se uma cruz feita de fitas pretas sobre esse mingau, antes de entregá-lo na natureza.

     Bolinhos de tapioca.

      Os bolinhos de tapioca são feitos colocando-se a tapioca de molho em água quente (ou leite de coco, se preferir), de modo a inchar. Quando inchado, enrole os bolinhos em forma de croquete e passe-os em farinha de mesa crua. Asse na grelha.
     Colocar os bolinhos em prato de louça branca podendo acrescentar arruda, rapadura, fumo de rolo, etc.

     Obs: Nas sessões festivas de Pretos-Velhos, é usual servir a tradicional feijoada completa, feita de feijão preto, miúdos e carne salgada de boi, acompanhada de couve à mineira e farofa.


FORMAS INCORPORATIVAS E ESPECIALIDADE DOS PRETOS-VELHOS:

     Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito.  A vibração começa com um "peso" nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados no chão. Se locomovem apenas quando incorporam para as saudações necessárias (atabaque, gongá, etc...) e depois sentam e praticam sua caridade (Podemos encontrar alguns que se mantém em pé).
     É possível ver Pretos-Velhos dançando, mais esse dançando é sutil, e apenas com movimentos dos ombros quando sentados.
     Essa simplicidade se expande, tanto na sua maneira de ser e de falar.  Usam vocabulário simples, sem palavras rebuscadas.
     A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham.
     Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

      Pretos-Velhos De Ogum:

     São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes.
     São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de "choque", mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas.
     São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e "medrosos".  É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

     Pretos-Velhos De Oxum:

     São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível.
     Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é "chocar" e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado.
     São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior.  As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.


     Pretos-Velhos De Xangô:

     Sua incorporação é rápida como as de Ogum.
     Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais.
     Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.

     Pretos-Velhos De Iansã:

     São rápidos na sua forma de incorporar e falar.  Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas.
     Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá.
     Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual.
     Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego.  É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.

     Pretos-Velhos De Oxossi:

     São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas.
     Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo.
     Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc...
São verdadeiros químicos em seus tocos. - Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior "químico" - Oxossi.

     Pretos-Velhos De Nanã:

     São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda.  Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada.
     Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo.
     Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça.
     Costumam se afastar dos médiuns que consideram de "moral fraca". Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada.
     É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta.
     São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função.
     Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

     Pretos-Velhos De Obaluaiê/Omulú:

     São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral.
     Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros.
     Agarram-se a seus filhos com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar.
     Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos.  Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento.
     Como trabalha para Obaluaiê, e este é o "dono das almas", esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos.
     Sua "visão" é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual.
     Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos.
     Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.

     Pretos-Velhos De Yemanjá:

     São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga.
     Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares.
     Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar.
     Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.

     Pretos-Velhos De Oxalá:

     São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos.
     Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos.
     Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom comportamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.



    Salve essas almas caridosas e humildes, que vem sempre com uma palavra para nos ajudar a caminhada que as vezes nos parece tão difícil, mas que esses Vovôs e Vovós tornam muito mais aceitáveis.

Salve meu Rei Congo, Pai Antero, Pai Benedito, Vó Joaquina, Pai Cipriano,
Vô Chico, Pai José e Vó Cambinda.. Sua benção.  Salve todos os Pretos
Velhos. Adorei as almas.





Mais Respeito na Umbanda!


  A realidade é uma só, nua e crua : Umbanda não é circo.
O erro que muitos médiuns praticam ao começar a se desenvolver na mediunidade, é achar que por já estar começando a firmar seus guias e Orixás e que podem abrir um "espaço" e sair incorporando em casa e dar consultas, e esquece que a missão do sacerdócio não é um privilégio de todos e que para chegar a onde este médium chegou, teve muito chão, muita fé , força e fundamentos., não significa que seja melhor do que o outro mais não é de uma hora ara outra que a pessoa abre um terreiro, tenda ou casa de umbanda como queiram chamar, Realizar uma gira de Umbanda não é só passar um defumador em casa, acender uma vela atras do portão, colocar meia duzia de imagens e pronto , como passe de magica está aberto um novo terreiro. Engano de quem acha que é assim que nasce um terreiro.

 Um terreiro só nasce quando o médium já está pronto para servir ao seus Orixás e guias e poder zelar pelo seu próximo, nasce com ordens superiores, e que o médium tem que ter a consciência que encorporando em casa o mesmo estará abrindo um portal, ou seja muitos espíritos não evoluídos e mal intencionados irão habitar aquele local e sendo assim terá que ter um firmamento para que possa proteger a si e seus filhos de santo.
  A Umbanda tem fundamento. Tudo que é feito tem um porquê e um motivo, e tudo tem sua determinada hora para acontecer, então pense bem, não atropele todo o momento de evolução pela frente e aprendizado. Pois ser um médium de Umbanda não lhes torna um Dirigente Espiritual.


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Mitologias do Caboclo Sete Flechas

 
   Para quem gosta de saber um pouco da história, lendas e mitos dos Orixás e seus guias, estarei postando um pouco de cada mitologia encontrada e de meu conhecimento, esperem que gostem!





  
  O Caboclo Sete Flechas era um índio Oriundo da Tribo Dos Patachós que se localizava na Mata Escura na época ( entre os anos 200 e 300), onde hoje é estado da Bahia é o Caboclo que vem da Irradiação de Oxóssi, podendo ser cruzado para vir na enviação de todos os Orixás, o que vou lhes explicar é o que dará sentido ao que escrevo: O Caboclo Sete Flechas recebeu as suas Flechas de 7 Orixás , a mando do Pai Oxalá conforme segue: *Oxóssi colocou uma Flecha no seu Braço direito flecha da saúde para que derrame sobre nós os bálsamos curadores.*
Ogum colocou uma flecha no seu braço esquerdo, flecha da defesa para que sejamos defendidos de todas as maldades materiais e espirituais.*
Xangô cruzou uma flecha em seu peito, para nos defender das injustiças da humanidade.* Iansã cruzou uma flecha em suas costas, para que nos defenda de todas as traições de nossos inimigos.* Iemanjá colocou uma flecha sobre a sua perna direita, para abrir nossos caminhos materiais e na senda da espiritualidade. *Oxum colocou uma flecha sobre sua perna esquerda, para levar os nossos caminhos, iluminar os nossos espíritos e nos defender de todas as forças contrárias às de Deus. *Omulu/Obaluaê entregou em suas sagradas mão a flecha da força astral superior, para distribuir a humanidade a Divina força da fé e das ervas e das folhas de nossa flora e da flora de outros países, trabalha na cura ,exímio vencedor de grandes demandas espirituais e como alguns costumam dizer ele é um Caboclo Mandingueiro, ou seja, quebrador de mandingas destinadas a seus filhos e a seus protegidos, manipulador das energias do Astral e não fica "preso" a nenhuma vibração, ele trabalha dentro de todas as vibrações com os Falangeiros que ele comanda.


Mitologia Exu e a sua Forma Original



   Na tentativa de manter o culto aos seus deuses no Brasil, os negros escravizados buscaram pontos de convergências entre uma trajetória dos santos católicos e os dezesseis orixás do culto da Umbanda, mais conhecidos e tradicionalmente , pelos negros cultuados.
 Exu foi sendo representado nos sincretismo católico africanos, por Santo Antônio, simplesmente por questões similares como a cor negra de (Santo Antonio de Categeró) ambos com as governanças: o número sete, os cemitérios , encruzilhadas e suas personalidades bastante forte.
Este como Orixá foi primeiro gerado antes de todos, foi o que mais sofreu uma perseguição sistemática, pelos missionários catequizadores, sendo constantemente associados ao Diabo Cristão.
Nessa mistura secular de mentiras e equívocos, médiuns despreparados recebiam espíritos que se passavam por Exus falangeiros, os conhecidos (Quiumbas) se dizendo que eram Demônios, fazendo com que comerciantes inescrupulosos e ignorante criassem as imagens de Exu, cada vez mais distorcida e tenebrosas as mesmas que vemos até hoje à venda em loja. Exu, sobre esta concepção errônea, ganhou chifres, rabo, cara vermelha, patas de animais e aparência grotesca e demoníaca.
  Mas Exú  é mesmo dessa forma?
A verdade é que, a forma original de Exu é humana, ele tem dois braços, duas pernas , dois olhos e uma cabeça!
Os espíritos que compõem a falange de Exu são espíritos como nós, até muito contemporâneos.
Essa associação, indevida e maldosa, com o passar do tempo , foi caindo no hábito popular e na psique distorcida de pessoas mentalmente e espiritualmente despreparadas, que começaram a construir a visão irreal que Exú é Demônio, Até pontos absurdo já ouvi em terreiros em que Exu vem do Inferno e etc...
Diferente dos "Quiumbas", zombeteiros e outros espíritos oportunista sem evolução do baixo astral, que podem mistificar os trabalhos espirituais e se passarem por Exu, cada ser humano têm , pelo menos , um casal de Exus Chefes  que influenciam permanentemente em seu destino.
 Outro mito: Independente do sexo e da condição da sexualidade do médium ambos dão incorporarão Pombo-Gira e Exu.
Isto quer dizer que um médium homem jamais terá sua sexualidade transmutada ou interferida por que incorpora uma Pombo-Gira e a recíproca é verdadeira.
Estas "lendas" em nada conferem com a realidade da pura espiritualidade e, pelo contrario , distorcem ainda a mais a verdade dos fatos.
Exu e Pombo-Gira são entidades guardiões , trabalhadores, protetoras de terreiro e médiuns. Doutrinadoras de espíritos confusos, perdidos e sem evolução.
Aqueles que recolhem e conduzem os "Quiumbas" para as regiões do astral onde serão ensinados, doutrinados e evoluídos.
O médium hoje necessita compreender... Quem realmente é Exu e Pombo-Gira, para nçao cair na armadilha e vícios de incorporação e animismo de outros médiuns, que necessitam de maior compreensão, visão doutrinaria e teologia, onde médium  e entidades trabalham para a evolução, indistinta e imparcialmente de todos.


Fazer o sinal da cruz, alguns significados interessantes!

  A muito tempo o sinal da crus é feito por seus adeptos, e muitas das vezes não sabem exatamente o por que, ou tem uma noção ou achamos que é uma coisa e pode ser um pouco diferente do que pensamos .

 Fazer o sinal da cruz em si mesmo abre o nosso lado sagrado ou interior para que ao rezarmos, nos dirigimos ás divindades e a Deus através do lado sagrado ou interno da criação.

  Ao fazermos o sinal da cruz diante das divindades, estamos abrindo o nosso lado sagrado para que não se percam as vibrações divinas que elas nos enviam quando nos aproximamos e ficamos diante delas em postura de respeito e reverência.

  Ao fazermos o sinal da cruz diante de uma situação perigosa ou de algo sobrenatural e terrível, estamos fechando as passagens de acesso ao nosso lado interior, evitando que eles entrem em nós e se instalem em nosso espírito e em nossa vida.

  Ao cruzarmos o ar,ou estamos abrindo uma passagem nele para que, através dela, o nosso lado sagrado envie suas vibrações ao lado sagrado da pessoa à nossa frente, ou ao local que estamos abençoando (cruzando).

  Ao cruzarmos os solos diante dos pés de alguém, estamos abrindo uma passagem para o lado sagrado dela.

  Ao cruzarmos uma pessoa, estamos abrindo uma passagem nela para que seu lado sagrado exteriorize-se diante dela e passe a protegê-la.
  
  Ao cruzarmos um objeto, estamos abrindo uma passagem para o interior oculto e sagrado dele para que ele, através desse lado seja um portal sagrado que tanto absorverá vibrações negativas como irradiará vibrações positivas. 

  Ao cruzarmos o sono de um santuário, estamos abrindo uma passagem para entrarmos nele através do seu lado sagrado e oculto, pois se entrarmos sem cruzá-lo na entrada, estaremos entrando nele pelo seu lado profano e exterior. 

  Ao cruzarmos algo(uma pessoa, o solo, o ar, etc.) devemos dizer estas palavras: - Eu saúdo o seu alto, o seu embaixo e a dua direita e a esquerda e peço-lhe em nome do pai Obaluaê que abra o seu lado sagrado para mim.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Voltando as postagens

Caros irmãos e irmãs de santo

  Devido ao tempo de afastamento do blog, não me desliguei da religião, só não estava mais encontrando tempo para postar alguns conhecimentos vistos por mim para compartilhar com todos.
Gostaria de ser bem clara com todos os irmão e irmãs... este é um blog para conhecimento onde eu li ou vivi ou estou vivenciando, mescla um pouco de sabedoria de cada zelador ou cada Yalorixá ou Babalorixá que pude ter o prazer de beber da água do conhecimento.
  Temos apenas que respeitar algumas particularidades que não são ditas pois todo ritual tem um fundamento e atras desse fundamento tem seu segredo.

  Boa Leitura para todos, espero que gostem e mandem seus e-mail para que possa contribuir, com suas vivencias, sabedoria, duvidas ou até mesmo passando um feedback comentando do que achou sobre a minha postagem;

Axé!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Oxossi






  Divindade da caça que vive nas florestas. Seus principais símbolos são o arco e flecha, chamado Ofá, e um rabo de boi chamado Eruexim. Em algumas lendas aparece como irmão de Ogum e de Exu.

  Ọxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Iemanjá, ou, nos mitos, filho de Apáòká (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. Diz um mito que Ọxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela tem muitos filhos que são abandonados e criados por Ọxum.

  Ọxossi vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imitam a perfeição, e caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras. Um solitário solteirão, depois que foi abandonado por Iansã e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois são nefastas à caça.

Está estreitamente ligado a Ogum, de quem recebeu suas armas de caçador. Ọssain apaixonou-se pela beleza de Ọxossi e prendeu-o na floresta.Ogum consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele esta associado, ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.

Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa ou de azul e vermelho. Leva um elegante chapéu de abas largas enfeitados de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, um arco, uma flecha de metal dourado. Sua dança sumula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslizando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé.









  Orixá das matas, seu habitat é a mata fechada, rei da floresta e da caça, sendo caçador domina a fauna e a flora, gera progresso e riqueza ao homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em abundância, o Orixá Ọxossi está associado ao Orixá Ọssain que é a divindade das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de umbanda.

Irmão de Ogum bitualmente associa-se à figura de um caçador, passando a seus filhos algumas das principais características necessárias a essa atividade ao ar livre: concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.

Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante que Ogum.

No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.

Segundo Pierre Verger, o culto a Ọxossi é bastante difundido no Brasil, mas praticamente esquecido na África. A hipótese do pesquisador francês é que Ọxossi foi cultuado basicamente no Keto, onde chegou a receber o título de rei. Essa nação, porém foi praticamente destruída no século XIX pelas tropas do então rei do Daomé. Os filhos consagrados a Ọxoṣsi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. Já no Brasil, o Orixá tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos.

O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois se identifica com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.

Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Ọxoṣsi o identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um Índio.

Ọxoṣsi é o que basta a si mesmo. A ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Ọxum, com quem teria mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual, coisa importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador, mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a ostentação, ele é a austeridade e o despojamento.








Características

Animais Tatu, Veado, Javali. (qualquer tipo de caça)
Bebida Vinho branco (água de coco, caldo de cana, aluá)
Chakra Esplênico
Comidas Axoxô,Papa de Milho Para Oxóssi,Quibebe Pamonha de Milho Verde
Cor Verde (No Candomblé: Azul Celeste Claro)
Data Comemorativa 20 janeiro
Dia da Semana Quinta-feira
Elemento Terra
Essências Alecrim
Fio de Contas Verdes Leitosas (Azul Turquesa, Azul Claro)
Flores Flores do campo
Incompatibilidades Mel, Cabeça de bicho (nos sacrifícios e alimentos), Ovo
Metal Bronze (Latão)
Numero 6
Pedras Esmeralda, Amazonita. (Turquesa, Quartzo Verde, Calcita Verde)
Planeta Vênus
Ponto de Força Matas
Saudação  òkè àró oke odé! - Salve o caçador, aquele de alta graduação honorífica
Saúde Aparelho Respiratório
Símbolo Ọfà (arco e flecha), Ìrùkere
Sincretismo São Sebastião


Folhas


  • Coco
  • Goiaba
  • Mamão
  • Alecrim Caboclo
  • Alfavaca do Campo
  • Alfazema de Caboclo
  • Cabelo de Milho
  • Carqueja
  • Carrapicho de Boi
  • Chapéu de Couro
  • Cipó de Caboclo
  • Fumo Bravo
  • Groselha 
  • Jurema Branca 
  • Malva 
  • Milho
  • Milho Vermelho
  • Pinhão Branco
  • Capim Limão
Oxossi

Qualidades ou tipos de Oxossi


  • Ọxossi Ibualamo - É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta um mito que Ybualamo é o verdadeiro pai de Logun Edé. Apaixonado por Ọxum e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor.Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com Omolu Azoani. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.
  • Inlẹ̀ - É o filho querido de Oxoguian e Iemanjá. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com plumas brancas e azuis claro. É tão amado que Oxoguian usa em suas contas um azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamento com Ogunjá.
  •  Dana Dana - Tem fundamento com Exu, Ossain, Oxumaré e Ọya. É ele o Òrixá que entra na mata da morte e sai sem temer Egun e a própria morte. Veste azul claro.
  • Akuereran- Tem fundamento com Oxumaré e Ọssain. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tiram-se as penas e se solta o bicho.
  • Otyn - Guerreiro e muito parecido com seu irmão Ogum, vive na companhia dele, caçando e lutando. É muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente este sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, conta azul, leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. Tem que se dar comida a Ogum
  • Mutalambo - Tem fundamento com Exu
  • Gongobila - É um Ọxossi jovem. Tem fundamento com Oxalá e Ọxum.
  • Koifé - Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com Ọssain e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se Koifé e faz-se Ybo, Ynlé ou Ọxum Karé; trinta dias após, faz-se toda a matança.
  • Arolé - Propicia a caça abundante. É invocado no Padé. É um dos mais belos tipos de Ọxossi. Um verdadeiro rei de Ketu. As pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com Ogum e Ọxum. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.
  • Kare - É ligado as águas e a Ọxum, porém os dois não se dão bem, pois, exercem as mesmas forças e funções. Come com Ọxum e Oxalá. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.
  • Wawa - Vem da origem dos Òrixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com Oxalá e Xangô, pois, dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se ele e faz-se Airá ou Ọxum Karé.
  • WALÈ - É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado, diretamente, a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. Come com Exu e Ogum.
  • Oseewe ou Ygbo É o senhor da floresta, ligado as folhas e a Ọssain, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tapando o seu rosto.
  • TÁFÀ-TÁFÀ - O caçador arqueiro, aquele que exímio atirador de flechas, é predicado que se diz de Ọxossi
  • Erinlẹ̀ - É também um outro Ọxossi, que, a exemplo de Inlẹ̀, cujo culto também caiu no obscurantismo, acabando por tornar-se "qualidade de Ọxossi".
  • TOKUERÁN - O caçador é quem mata a caça, diz-se da actuação do caçador.
  • OTOKÁN SÓSÓ - Embora muitas vezes seja citado como uma qualidade, não é qualidade, é um oríkì que significa o caçador que só tem uma flecha . Ele não precisa de mais nenhuma flecha porque jamais erra o alvo. Título que Ọxossi recebeu ao matar o pássaro de Ìyámi Eléye. Não fazendo parte do rol dos caçadores que possuíam várias flechas, Ọxossi era aquele que só tinha uma flecha. Os demais erraram o alvo tantas vezes quantas flechas possuíam, mas, Ọxossi com apenas uma flecha foi o único que acertou o pássaro de Ìyámi, ferindo-o com um tiro certeiro no peito. Por essa razão é que ele não recebe mel, pois o mel é um dos elementos fabricado pelas abelhas, que são tidas como animais pertencentes a Ọxum, mas, também às Ìyámi Eléye. Então, é èèwò (proibição) para Ọxossi. Por essa razão também, é que se dá para Ọxossi o peito inteiro das aves, como reminiscência desse ìtàn.

Sincretismos





Atribuições

Ọ̀ṣọ́ọ̀si é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.

Características dos Filhos de Oxossi

O filho de Ọ̀ṣọ́ọ̀si apresenta arquetipicamente as características atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.

Os filhos de Ọ̀ṣọ́ọ̀si são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.

Fisicamente, os filhos de Ọ̀ṣọ́ọ̀si, tendem a serem relativamente magros, um pouco nervosos, mas controlados. São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.

No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do caçador. Assim os filhos de Ọ̀ṣọ́ọ̀si trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos.

Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.

Os filhos de Ọ̀ṣọ́ọ̀si, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.

Os filhos de Ọ̀ṣọ́ọ̀si tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é estranho que, quem tem Ọ̀ṣọ́ọ̀si como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que nunca se misturam. Os filhos de Ọ̀ṣọ́ọ̀si compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá.

Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de amigos. É, portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra.

São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.

O tipo psicológico, do filho de Ọ̀ṣọ́ọ̀si é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como "complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.

Lendas de Ọ̀ṣọ́ọ̀si

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